A história por trás dos vampiros (e lobisomens)

Não estou querendo começar nenhuma discussão, se os vampiros brilham ou não, o que a Stephanie Meyer fez ou deixou de fazer, muito menos exaltar Bram Stocker pelo seu livro “Drácula”.

Eu, como mitólogo de garagem, sempre tentando aprofundar meus conhecimentos sobre costumes mitológicos e folclóricos de várias civilizações, deparei-me com um fator comum entre todas as histórias que envolvem vampiros e lobisomens, a doença chamada porfiria, que nos ajuda a entender a origem dos mitos e superstições que nasceram na Idade Média em torno desses seres folclóricos europeus.

É só mais uma curiosidade que eu resolvi compartilhar com vocês, leiam até o final se quiserem saber se os vampiros brilham ou não.

  • Mas afinal, o que é porfiria?

A mulher mais tatuada do mundo, Julia Gnuse, é porfírica e começou a tatuar seu corpo para protegê-lo da luz do sol e esconder as cicatrizes causadas pela doença.

É uma doença sanguínea hereditária, que consiste na baixa concentração da enzima que sintetiza a heme, uma molécula vital para o corpo humano, um dos componentes da hemoglobina, que atua no transporte de oxigênio para o sangue.

Você provavelmente não entendeu nada, então aqui vai um resumo:

Falta a enzima, não produz heme, falta oxigênio.

Pá-pum! Idêntico aos filmes de “Blade – o caçador de vampiros“, onde ele fala que os vampiros são seres que não conseguem produzir hemoglobina no sangue e por isso precisam roubar de outras pessoas.

Não podemos também excluir a teoria de que alguém na Idade Média, tenha sofrido um desejo de tomar sangue, para assim sanar a necessidade da síntese do heme.

  • Sim, existem milhares de doenças sanguíneas assim, isso ainda não explica os vampiros, senhor Victor :/

a exposição ao sol resulta no surgimento de bolhas e cicatrizes

Ah! Chegamos ao ponto!

Um dos tipos de porfiria é a porfiria cutânea, e se vocês se lembram de suas aulas de biologia, vão lembrar-se de que o radical latino cutis refere-se à pele. Esse tipo de porfiria atinge diretamente a pele.

  • Então eles eram realmente brancos como cadáveres? 😮

Acho que você devia ser mais avermelhado... e ter umas cicatrizes e bolhas aqui e ali...

Muito pelo contrário! A palavra porfiria vem da palavra grega porphura, que significa púrpura ou avermelhado. A concentração dos precursores de heme no sangue fazia com que a pele da pessoa adquirisse essa cor.

A concentração de tal elemento também faziam que as unhas e os dentes ficassem com um tom avermelhado também, sustentando o mito da alimentação baseada em sangue.

A urina também era escura, o que fazia com que as pessoas acreditassem que foi o resultado de uma alimentação baseada em sangue.

Essa mudança inclusive era mais visível quando eles ficavam expostos ao sol.

  • Então eles se escondiam do sol?

Sim, mas não por que brilhavam, por se tratar de uma anomalia que afetava a pele, eles realmente sofriam irritações ao se expor ao sol, como alguns albinos. Isso é chamado de fotossensibilidade.

As pessoas que sofriam de porfiria ficavam então trancadas em suas casas em locais escuros, raramente saiam, e quando saiam ficavam sempre completamente cobertas com túnicas. Elas também tinham preferência por sair à noite, o que fazia com que as associassem com feiticeiros e seres noturnos.

  • Que interessante! Então os mitos sobre vampiros realmente surgiram a partir dessa doença? 😀

Mulher com porfiria cutânea tardia sendo afetada pela hipertricose. Note o crescimento de pelos em locais não usuais.

Não só os mitos sobre vampiros, mas também os de lobisomens. Antigamente, na França, a palavra loup-garou servia tanto para designar vampiros quanto lobisomens.

Outra característica dessa doença é a hipertricose, onde o corpo, para se proteger da luz, aumenta a produção de pelos nas áreas mais atingidas pelo sol, que não são as mais usuais.

Então algumas vítimas da porfiria tinham um crescimento exagerado de pelos não só nos braços, pernas e peitos, há relatos de crescimento de pelos na face, o que fazia muitas pessoas pensarem que tal pessoa pudesse realmente se transformar num animal durante a noite.

  • O.o que tenso…

Ah! Mas agora chegamos na pior parte da doença. Além de todos esses sintomas, haviam os problemas neurológicos e o pior de tudo: a necrose e degradação do corpo.

as imagens desses sintomas da doença são muito fortes, então eu preferi não colocar no post. Em vez disso, coloquei esse gif pra quebrar o gelo 😀

As porfirinas acumuladas na pele podem absorver grandes quantidades da energia do sol e transferi-la para o oxigênio da respiração. O oxigênio não é tóxico, mas sai sob a forma de oxigênio altamente reativo, que destrói os tecidos, predominantemente os mais distais (pontas dos dedos) e os mais expostos (nariz, boca).

Então, suas mão vão com o passar do tempo tomando um aspecto cada vez mais inumano, lembrando garras, o nariz é desfigurado e os lábios são destruídos, deixando os dentes sempre expostos, o que nos lembram presas.

Junte essas características aos hábitos noturnos, os pelos em grande quantidade pelo corpo, dentes avermelhadosurina cor-de-sangue e jogue no meio da Alta Idade Média.

Temos aí o surgimento das lendas sobre os vampiros e lobisomens.

  • Então o Drácula tinha porfiria?

Talvez sim, talvez não.

O sobrenomem de Vlad era Draculea, que significa "filho do dragão", uma referência a seu pai, Vlad Dracul, que recebeu esse apelido ao se juntar à "Ordem do Dragão".

O personagem “Conde Drácula” foi inspirado num príncipe da Valáquia que governou entre 1448 e 1476, Vlad III ou Vlad Tepes, que significa “Vlad, o Empalador”.

Cruel contra seus inimigos, mas conhecido como honrado herói cristão por seus súditos, Vlad era conhecido por seu sadismo e entre várias táticas de tortura, apreciava o empalamento, onde a vítima da tortura era traspassada por uma estaca e deixada sangrando até a morte.

Os corpos sem sangue que restavam deram origem aos boatos de vampirismo que inspiraram Bram Stocker a escrever o seu livro “Drácula” em 1897.

Porém, essa é uma doença genética que costuma ser o resultado de relacionamentos endogâmicos (relação entre membros da mesma família), muito comum entre famílias nobres.

Talvez daí tenha vindo o costume de dizer que o lobisomem é o sétimo filho.

Um exemplo disso é que essa doença, assim como a hemofilia, afligia a família real inglesa, vários membros são sugeridos tendo essa doença.

Outro suposto porfírico é o escultor Aleijadinho. A degeneração de seus membros é atribuída, entre outras doenças, à porfiria, sem falar do fato de que ele preferia trabalhar à noite e sempre protegido por um capuz que lhe cobria todo o corpo.

Resumindo: A porfiria é uma doença séria que existe até hoje. Preferi não postar muitas imagens sobre a doença porque são realmente fortes.

Nem podemos imaginar a quantidade de pessoas que foram queimadas e mortas na idade média sendo acusadas de vampirismo e licantropismo (ser lobisomens), quando elas na verdade eram vítimas de uma doença grave que às deixava frágeis e completamente indefesas.

Espero que tenham gostado do post! 😀

Principal fonte: gballones.site.uol.com.br

Para saber mais: Associação Brasileira de Porfiria

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14 thoughts on “A história por trás dos vampiros (e lobisomens)

  1. Vendo as imagens, dá pra notar que a porfiria deixa algumas das vítimas bem parecidas com zumbis. Realmente, bem assutador.

  2. mano ..veio …foi muito foda….adorei ..vc mandou muito bem …uia…empolguei bastante…acho que foi um dos melhores artigos sobre o assunto … muito bom mesmo …

    • valeu cara xD
      sou fissurado por mitologias e folclore, e quando eu pesquiso eu realmente levo a serio
      se tiver algum pedido de post é só falar xD

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