Viver ou Sobreviver?

Nunca terminei Super Mario World.

Vários amigos já quiseram me abandonar depois que souberam disso. Infelizmente, nunca tive um Super Nintendo e até agora nunca terminei o jogo que considero um dos melhores da franquia.

Sei que isso não é desculpa, acho que meu primo ainda tem um Super Nintendo por aí ou então eu poderia simplesmente jogar através de um emulador ou sei lá o que…

E foi isso que eu fiz.

Num fim de semana qualquer eu consegui o jogo e, entre lágrimas e suor, me empenhei na épica saga de finalizar o jogo antes da segunda-feira e (oh meu Deus, como eu sou ruim) no fim do domingo eu ainda estava no começo do Vanilla Dome!!

Então foi nesse momento que uma reflexão filosófica me veio a mente e acabou fazendo com que eu deletasse meu save para que eu pudesse recomeçar o jogo.

Para quê eu estava fazendo isso? Por diversão? Eu estava realmente me divertindo? Ou eu só queria poder chegar ao último chefe, derrotá-lo para poder falar aos meus poucos amigos? Então é por status? Que porra de status é esse?? Falar que zerou super mario???

Eu tinha completado o jogo até ali, mas eu tinha realmente jogado o jogo?

Eu ignorava todas as moedas, desviava de inimigos se pudesse e nem me dava ao trabalho de coletar os power-ups. Testava todos os canos de teletransporte para poder chegar ao fim da fase o mais rápido o possível.

Uma fase após a outra, sem parar, morrendo e recomeçando. Cheguei até a usar os saves do próprio emulador para trapacear e terminar mais rápido!! (eu não me perdoo por isso)

Os jogos eletrônicos são feitos para simples divertimento, eu não estava me divertindo! Não parei para pensar em diversão em nenhum momento!! Talvez eu tenha é me estressado mais do que me divertido.

Pisquei os olhos e estudei o cenário deprimente ao meu redor: o quarto estava escuro, iluminado pela luz da tela do notebook que ao escurecer revelava o reflexo de um garoto magricela usando um gorrinho com orelhas e segurando um joystick.

Não havia diversão alguma ali.

Deletei meu save e parei para pensar no meu fim de semana perdido. Eu poderia ter saído para ver um filme com meus amigos, ou então ter parado para ensinar minha irmãzinha a tocar teclado, mas ao invés disso eu tinha passado esses dois dias dentro do meu quarto tentando quebrar um limite próprio e idiota.

Meu irmão mais novo entrou no quarto, me ignorou como sempre e ligou o outro computador para jogar The Sims.

Ainda estava embasbacado com a minha idiotice e pensei em pedir que ele desligasse o computador para aproveitar melhor o fim do domingo… Mas que nada! Ele havia acabado de voltar de uma partida de futebol com os amigos dele! Ele certamente aproveitou o fim de semana melhor que eu!!

Observei o jogo do meu irmão e vi que o Sim dele habitava numa casa enorme de dois andares, a quantidade de simoleões que ele possuía quase nem cabia inteira no visor.

Lembrei que da última vez que eu joguei The Sims, meu Sim morreu na mesma casa em que eu comecei o jogo. Comecei como um jovem adulto, fui evoluindo no trabalho até que meu personagem envelheceu e morreu.

Só então percebi que eu praticamente não joguei o jogo, eu só passei por ele. Não aproveitei o que o jogo tinha a oferecer, somente passei e quando meu Sim morreu eu deixei.

Um baque na minha mente tão forte quanto um gole de Dinamite Pangalática me fez sentar atordoado em minha cama, olhar para as minhas próprias mãos e me perguntar: “O que estou fazendo com minha vida?”

A vida foi feita pra viver, e eu estava simplesmente sobrevivendo!

Deixando um dia passar após o outro, fazendo meus deveres diários e indo dormir, exatamente como em The Sims, pegava os atalhos para terminar tudo mais rápido e chegar ao fim da fase, como em Super Mario World. Eu não parava pra pegar os power-ups, eu não coletava moedas e quando o fazia, nem chegava a gastá-las num carro daora.

Cá estou eu com dezesseis anos de idade. Peguei uns atalhos para chegar mais rápido à faculdade e somente agora paro pra pensar no que deixei de fazer. Sempre recusando os convites ao cinema, me negando a tirar fotos e saindo de encrencas em vez de cair de cabeça nelas.

A maneira como eu vivia era refletida nos games. Eu não vivia, eu sobrevivia!

Na vida real eu não posso voltar alguns saves pra poder repetir as coisas que eu deixei de fazer, mas eu posso começar a fazê-las a partir de agora! Ainda sou novo! Ainda posso montar uma banda, conhecer lugares diferentes, conhecer pessoas diferentes, VIVER!

E isso só depende de mim! É uma escolha que EU tenho que fazer, viver ou sobreviver!!

 

Ainda não desisti de terminar Super Mario World, mas se eu for fazer isso, será por diversão, e não somente para confirmar que ele é melhor que Super Mario 3, ou para provar que sou capaz.

Se eu tiver uma oportunidade de fazer algo diferente, farei! Antes que a energia acabe e eu não consiga mais segurar um joystick nas mãos.

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2 thoughts on “Viver ou Sobreviver?

    • Essa é a primeira aparição do Yoshi. A música é tão marcante quanto as anteriores e de longe ele é o mais épico lançado naquela época u.u

Se você chegou até aqui, ao menos comente u.u

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