Deve ser autista! | Comentários sobre ‘Número Zero’

Número Zero (Record; 208 páginas; 35 reais)umberto-eco-numero-zero

Voltei! Fiquei muito tempo sem publicar nada sobre livros, embora tenha feito algumas resenhas para a faculdade e para o curso de inglês em 2015. Encontrei um arquivo na minha área de trabalho com um comentário sobre este livro do Umberto Eco que fiz para uma disciplina chamada Jornalismo Especializado.

Em 2015 também tentei começar a fazer vídeos no youtube com resenhas de livros, porém, entre vários problemas, ainda não consegui me decidir que tipo de vídeos produzir, se resenhas mais sóbrias ou algo mais bem humorado. Por causa disso, somado à falta de tempo o canal está parado há meses.

Uma das razões de eu ter deixado de publicar foi o fato de que em 2015 comecei a estudar para um exame de proficiência de nível avançado em inglês. Portanto, dediquei cada segundo do meu tempo livro para resolver exercícios, ler em inglês e escrever dissertações. Pretendo, inclusive, publicar futuramente uma lista comentando os livros que li em inglês desde que comecei essa jornada para comprovar meu conhecimento no idioma. 

Agora que já fiz o exame, tenho mais tempo para escolher o que quero ler e me dedicar às resenhas. Pretendo em 2016 ler muito mais coisas e comentar aqui para deixar meus pensamentos guardados para a posteridade.

Sobre o livro
O romance Número Zero é a mais recente publicação do escritor italiano Umberto Eco, consagrado por O Nome da Rosa (1986). Desta vez, o autor explora, por meio da sátira e um leve senso de humor, situações comuns ao exercício do mau jornalismo.

A história traz um jornalista italiano de meia-idade, nos anos noventa, chamado Colonna, que é convidado a participar de uma falcatrua. Ele receberá dinheiro para escrever, em nome do chefe de um jornal sobre a suposta falência do periódico, o Amanhã, que nunca será publicado. O seu contratante espera ganhar dinheiro com a venda dos direitos do livro, que deverá narrar como é difícil um jornal pequeno sobreviver no predatório mercado da comunicação de massas.

O personagem parece, de maneira proposital por parte do autor, não refletir muito sobre as situações que vive. Apenas narra a história para o leitor de uma forma direta, comentando alguma coisa ou outra e poucas vezes durante a história. Talvez esse seja um dos motivos que o fazem ser um livro demasiadamente curto. A falta de desenvolvimento na narrativa alias é um de seus pontos fracos.

As observações e comentários acerca dos vícios jornalísticos do jornal Amanhã são bem humoradas e vão trazer reflexões relevantes para aqueles que têm interesse ou trabalham na área da comunicação. Apesar disso tudo, não se pode dizer que Número Zero é um compilado de atitudes que não se deve tomar na profissão, apesar de chegar perto disso, devido ao nível da caricatura que se faz do ofício.

Quem não é muito chegado em tramas que mostram os bastidores do jornalismo e apenas busca uma boa história, talvez não se importe em deixar passar o Número Zero. A história parece rasa pela falta de desenvolvimento e enrolada pela falta de dinamismo nos diálogos. Chegam a causar estranheza os monólogos que tomam lugar em um conversa entre dois personagens.

É a primeira vez que leio um livro do Umberto Eco e apesar de suas falhas, que não tiram o valor da obra, fiquei interessado pelo estilo enxuto de narrar do autor. Isso me fez ter vontade de buscar conhecer suas obras mais antigas, como O Pêndulo de Foucault e o próprio Nome da Rosa.

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