Deve ser autista! | Comentários sobre ‘Número Zero’

Número Zero (Record; 208 páginas; 35 reais)umberto-eco-numero-zero

Voltei! Fiquei muito tempo sem publicar nada sobre livros, embora tenha feito algumas resenhas para a faculdade e para o curso de inglês em 2015. Encontrei um arquivo na minha área de trabalho com um comentário sobre este livro do Umberto Eco que fiz para uma disciplina chamada Jornalismo Especializado.

Em 2015 também tentei começar a fazer vídeos no youtube com resenhas de livros, porém, entre vários problemas, ainda não consegui me decidir que tipo de vídeos produzir, se resenhas mais sóbrias ou algo mais bem humorado. Por causa disso, somado à falta de tempo o canal está parado há meses.

Uma das razões de eu ter deixado de publicar foi o fato de que em 2015 comecei a estudar para um exame de proficiência de nível avançado em inglês. Portanto, dediquei cada segundo do meu tempo livro para resolver exercícios, ler em inglês e escrever dissertações. Pretendo, inclusive, publicar futuramente uma lista comentando os livros que li em inglês desde que comecei essa jornada para comprovar meu conhecimento no idioma.  Continue lendo

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O Essencial É Invisível Aos Olhos | Resenha de ‘O Pequeno Príncipe’

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O Pequeno Príncipe (Agir; 93 páginas; 9 reais)

Em fevereiro de 1990, a espaçonave Voyager 1 concluiu sua missão primordial, depois de ter partido da Terra em 1977 com o objetivo de observar os planetas Saturno e Júpiter e suas respectivas luas. Como não há, no espaço, resistência do ar, a inércia possibilita que a nave vague infinitamente pelo cosmos até que encontre um obstáculo significativo, como a órbita de um planeta.

A cerca de 6,4 bilhões de quilômetros de distância da Terra, os astrônomos enviaram um comando para a espaçonave, prestes a sair do Sistema Solar, solicitando que ela virasse suas lentes para nosso planeta uma última vez e mostrasse o que via. A foto da Terra como um pequeno conjunto de pixels na imensidão do espaço inspirou o astrônomo Carl Sagan a escrever o livro Pálido Ponto Azul, publicado em 1994.

Sagan além de astrônomo, astrofísico e cosmólogo foi um excelente comunicador, soube aproveitar suas experiências e participações em programas espaciais para refletir sobre a condição humana diante da vastidão do Universo. Alguns anos depois, ao comentar a famosa fotografia, Sagan afirmou: “A Terra é um cenário muito pequeno numa vasta arena cósmica. Pense nos rios de sangue derramados por todos aqueles generais e imperadores, para que, na sua glória e triunfo, pudessem ser senhores momentâneos de uma fração de um ponto. Pense nas crueldades sem fim infligidas pelos moradores de um canto deste pixel aos praticamente indistinguíveis moradores de algum outro canto, quão frequentes seus desentendimentos, quão ávidos de matar uns aos outros, quão veementes os seus ódios (…)”.

Refletir sobre a dimensão do universo é um exercício incrível para cada um de nós, tendo que lidar com o tamanho de nossos egos diariamente, vivendo a insignificância de nossos conflitos. Foi com essa perspectiva que li O Pequeno Príncipe, publicado em 1945, a história do principezinho que passeou pelos planetas observando a condição dos indivíduos que encontra, todos “pessoas adultas”, e a falta de lógica em suas responsabilidades e atitudes.

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Por São Arnaldo! | Resenha de ‘A Lenda de Ruff Ghanor, Volume I’

91w-SqrDpnL._AA1500_A Lenda de Ruff Ghanor, Volume I: O Garoto-Cabra (Nerdbooks; 320 páginas; 39 reais)

Sim, vale a pena! Ignore o subtítulo aparentemente tosco (“o garoto-cabra”), o nome clichê do protagonista de fantasia medieval (“Ruff”) e o erro gramatical em “São Arnaldo” ao invés de “Santo Arnaldo”. Depois, deixe todas as expectativas de lado ao ler A Lenda de Ruff Ghanor – O Garoto-Cabra. Todos esses detalhes serão devidamente explicado com argumentos convincentes no decorrer da história. O mundo de Ruff Ghanor faz parte de um universo riquíssimo em detalhes e que ainda trará muito material aos seus fãs em breve.

Enquanto procuram por cabras que escaparam de um cercado, dois sacerdotes da ordem de São Arnaldo acabam encontrado no interior de uma caverna um pequeno garoto, aparentemente muito poderoso e ao mesmo tempo cativante. O garoto é levado pelos acólitos e cresce seguindo os preceitos da fé praticada no mosteiro, onde há um vilarejo ao redor. Durante sua juventude ele vive uma paixão e descobre o poder de um terrível tirano que assola todas as terras conhecidas, o dragão vermelho Zamir. Nesta primeira parte desta – já confirmada – trilogia, acompanhamos as aventuras que levam à formação deste herói e seu destino inevitável: derrotar o dragão. Continue lendo

Alguns bichos são mais iguais que os outros | Resenha de ‘A Revolução dos Bichos’

a-revolucao-dos-bichosA Revolução dos Bichos (Companhia das Letras; 152 páginas; 27 reais)

Animais de uma fazenda na Inglaterra, certo dia, convocam uma reunião no celeiro e chegam ao consenso de que estão sendo oprimidos pelos donos da granja. Eles então bolam um plano para expulsar seus opressores e aplicar um novo sistema que traga benefícios para a vida dos animais, onde todos serão menos explorados. O livro expõe as relações entre classe dominante e classe operária, no contexto do início do século XX, à medida que também alerta, de forma irônica, para os riscos de centralizar o poder nas mãos de poucos, em favor de um ideal.

George Orwell é o pseudônimo de Eric Arthur Blair. Ele nasceu em 1903, na Índia, onde seu pai trabalhava para o império britânico, porém cresceu na Inglaterra, onde estudou em colégios tradicionais. Durante sua vida foi jornalista, crítico e romancista, tornando-se um dos escritores mais influentes do século XX, sendo lembrado principalmente pela publicação de A Revolução dos Bichos e 1984, ambos na década de 40. Morreu de tuberculose em 1950, aos 47 anos.

Para aqueles que têm dificuldade em aprender história, o livro é um excelente pontapé para despertar o interesse pela Revolução Russa. É possível traçar paralelos entre alguns fatos e personalidades marcantes deste período. Uma leitura despretensiosa de A Revolução dos Bichos pode terminar com uma pesquisa online que vai deixar o leitor familiarizado como nomes como Lenin, Stalin e Trotsky.  Continue lendo

Quem é Você, Will Grayson? | Resenha de ‘Will & Will – Um Nome, Um Destino’

will Grayson will graysonWill & Will (Galera Record; 352 páginas; 29 reais)

Não é uma história extraordinária, por mais que a sinopse se recuse a admitir (até mesmo por questões comerciais). Não é o tipo de livro que se lê esperando um grande acontecimento, como uma invasão alienígena ou uma grande batalha. E é bom que o leitor esteja avisado disso, antes de começar Will & Will, a história de dois garotos com o mesmo nome cujas vidas coincidentemente se cruzam.

O livro é uma colaboração entre dois consagrados autores, bastante conhecidos entre o público juvenil: John Green, que alcançou o topo da lista de livros mais vendidos do New York Times, com Quem é Você, Alasca?, O Teorema Katherine, Cidades de Papel e A Culpa é das Estrelas, além de ter vencido prêmios literários importantes como o Printz Award. Ele também é o co-criador (junto com seu irmão Hank) do canal do youtube vlogbrothers, que já teve quase 500 milhões de visualizações e 2 milhões e 400 mil inscritos; E David Levithan, que também já esteve no topo da lista de mais vendidos do The New York Times e recebeu prêmios por diversos livros destinados ao público adolescente, incluindo Garoto Encontra Garoto e Todo Dia. Levithan trabalha como diretor editorial na Scholastic, onde fundou o Push Imprint, selo dedicado a encontrar novas histórias e autores para o público adolescente. Entre os autores que Levithan publicou/editou pela Scholastic está a autora de Jogos Vorazes, Suzanne Collins. Continue lendo