O Essencial É Invisível Aos Olhos | Resenha de ‘O Pequeno Príncipe’

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O Pequeno Príncipe (Agir; 93 páginas; 9 reais)

Em fevereiro de 1990, a espaçonave Voyager 1 concluiu sua missão primordial, depois de ter partido da Terra em 1977 com o objetivo de observar os planetas Saturno e Júpiter e suas respectivas luas. Como não há, no espaço, resistência do ar, a inércia possibilita que a nave vague infinitamente pelo cosmos até que encontre um obstáculo significativo, como a órbita de um planeta.

A cerca de 6,4 bilhões de quilômetros de distância da Terra, os astrônomos enviaram um comando para a espaçonave, prestes a sair do Sistema Solar, solicitando que ela virasse suas lentes para nosso planeta uma última vez e mostrasse o que via. A foto da Terra como um pequeno conjunto de pixels na imensidão do espaço inspirou o astrônomo Carl Sagan a escrever o livro Pálido Ponto Azul, publicado em 1994.

Sagan além de astrônomo, astrofísico e cosmólogo foi um excelente comunicador, soube aproveitar suas experiências e participações em programas espaciais para refletir sobre a condição humana diante da vastidão do Universo. Alguns anos depois, ao comentar a famosa fotografia, Sagan afirmou: “A Terra é um cenário muito pequeno numa vasta arena cósmica. Pense nos rios de sangue derramados por todos aqueles generais e imperadores, para que, na sua glória e triunfo, pudessem ser senhores momentâneos de uma fração de um ponto. Pense nas crueldades sem fim infligidas pelos moradores de um canto deste pixel aos praticamente indistinguíveis moradores de algum outro canto, quão frequentes seus desentendimentos, quão ávidos de matar uns aos outros, quão veementes os seus ódios (…)”.

Refletir sobre a dimensão do universo é um exercício incrível para cada um de nós, tendo que lidar com o tamanho de nossos egos diariamente, vivendo a insignificância de nossos conflitos. Foi com essa perspectiva que li O Pequeno Príncipe, publicado em 1945, a história do principezinho que passeou pelos planetas observando a condição dos indivíduos que encontra, todos “pessoas adultas”, e a falta de lógica em suas responsabilidades e atitudes.

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